segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Minha contribuição para o Setembro Amarelo

A vida é engraçada. As coisas costumavam dar muito certo pra mim. Quando parecia que tudo iria por água abaixo, nos 45 minutos do segundo tempo, dava tudo certo. Claro que me acostumei com isso e esse foi meu erro. Quando a gente sabe que vai dar certo, a gente arrisca com mais facilidade, né?

Mas, num dia em que eu achei que seria épico, apesar de algo dentro de mim dizer que era uma furada. No final, foi epicamente uma desgraça. Foi uma sucessão de falhas. Tudo de errado aconteceu e não tinha como remediar. A partir desse dia eu mudei.

A sensação de que algo vai dar errado passou a ser constante para qualquer coisa. Se eu marcasse algum compromisso num final de semana, mesmo com amigo, já me dava frio na barriga.

Frio na barriga, seguido de enjoos, nervosismo em excesso, boca seca, mãos geladas, falta de ar, tremedeira e tontura em locais abertos eram sensações constantes para qualquer atividade que eu fosse fazer. Quando eu ia ao cinema, pensava "será que vou conseguir ficar duas horas nessa sala?".

Essas sensações não começaram de repente. Em 2013, eu saía um dia e eu não via a hora de voltar pra casa. Achava que tudo bem. Às vezes é uma dia de indisposição, né? Mas começou a ficar mais comum me sentir assim.

Em 2014, os sintomas de ansiedade começaram a se agravar. Não conseguia ficar em um espaço aberto sem sentir uma instabilidade nas pernas. Quando fui viajar de avião, pela primeira vez, senti um medo insano. Eu tinha um buraco no estômago e mal respirava. Duas horas na espera pelo embarque pareciam ter durado duas décadas. Mas no final deu tudo certo.

Quando eu conheci meu namorado, eu estava na minha pior fase de ansiedade. Era difícil explicar pra ele a razão de eu não conseguir sair aos finais de semana, ou de não aguentar ficar fora de casa por muito tempo.

O desemprego agravou e muito minha ansiedade. Eu acordava tarde e só queria que o dia passasse rápido para eu voltar a dormir. Entendam, eu não queria morrer, mas eu também não tinha mais o ânimo que eu sempre tive de viver. Vontade de sair, de viajar, de festejar, de dirigir, que é algo que amo fazer, já não existia mais. Foi quando eu percebi isso, que eu estava apenas no modo zumbi, que eu procurei ajuda. Falei, chorando, com minha mãe, que me ouviu e me orientou. No começo de 2015, eu procurei uma psiquiatra. Que ironia. Eu, que achava que só quem não é auto suficiente procurava esse tipo de profissional, tomei aquela cuspida de volta na testa. Precisei tomar remédio pra eu voltar a mim. Meu namorado, apesar de não compreender o que se passava comigo, me apoiou.

Claro que fiz e ainda faço acompanhamento psicológico e não há vergonha alguma nisso. Precisei passar por isso para entender. Me conhecer é a melhor formar de eu me ajudar. Com o tratamento, voltei a sair, consigo ir ao cinema, consigo dirigir sem medo, voltei a viver. Já não tenho mais crises de ansiedade. Ansiedade tenho, claro. Ansiedade é natural, quando não tem paralisa. Toda essa experiência me transformou. Não sou mais a adolescente hiper feliz de antigamente. Amadureci, me tornei mais crítica e um tanto amarga, confesso. Mas sei que a vida vale a pena ser vivida e que tenho muita coisa pra viver.

Nesse setembro amarelo, vi muitas pessoas dando sua contribuição para a campanha de prevenção ao suicídio. E hoje eu quero dar minha contribuição. Ansiedade e depressão têm tratamento. A vida muda completamente e a gente vê como ela é melhor do que pensa. Tristeza constante não é normal. Não precisamos viver nas sombras pra sempre. Há sim uma saída. Procure ajuda.


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