sábado, 13 de outubro de 2012

Contos de transporte público - Se não pedir, fica difícil

Cheguei correndo no terminal para pegar o ônibus que já estava estacionado e que poderia sair a qualquer momento.

Consegui entrar no ônibus, já lotado, e me ajeitei próxima à porta do fundo de um jeito que pudesse ler o livro Fúria dos Reis. Logo ele começou a sair.

Três pontos depois entrou pelas portas do fundo uma senhora de cabelos bem branquinhos. Ela devia ter uns 67 anos. O excesso de pessoas em pé deve ter servido de justificativa para que ninguém oferecesse um lugar a ela, já que poderiam fingir que não estavam vendo.

Muitos pontos depois surgiu um lugar e eu avisei a senhora.
- Obrigada - ela respondeu. Mas assim que começou a se mover, outra pessoa sentou no lugar. A senhora me olhou com uma expressão de "fazer o que, né?".

- A senhora devia pedir para alguém dar o lugar. Se você não pedir, as pessoas não saem. A falta de educação domina. - Desabafei.

- Falta classe, né? Mas a gente vê cada barbaridade no transporte que já é normal.- Queixou-se.

- Mas não podemos considerar normal. Se você não pedir, as pessoas não mudam. Às vezes as pessoas tem de passar vergonha para aprender! - ainda estava indignada. A senhora concordou com olhos tristes, de quem já viu muita coisa errada nessa vida.

Logo um banco ficou disponível, mas outra pessoa rapidamente tomou posse dele, deixando a senhorinha no vácuo de novo.

Ela me disse que não tinha problema, porque desceria logo. Mas ela mentiu. Em um ponto, muitas outras pessoas desceram e sobrou bancos vagos no ônibus. Ela se sentou. Eu desci muitos pontos depois e ela ainda continuou no ônibus.
Fico me perguntando se na próxima vez ela forçará a educação de alguém.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Papo de elevador: Cinquenta Tons de Cinza

Eu estava no elevador do prédio onde trabalho, sentido piso Térreo. Ele parou num andar onde três mulheres entraram conversando:

- Esse não é um livro para se ler no ambiente de trabalho, né? - disse a Mulher 1. Na hora pensei que elas estavam falando do polêmico romance sadomasoquista Cinquenta Tons de Cinza, lido por quatro pessoas em cada dez nos trens de São Paulo. - Minha mãe gosta de dar livros de presente.  Ela sempre dá livros em aniversários. Imagina se eu dou pra chefe o Cinquenta Tons de Cinza? - Rá! Ele mesmo. Era desse livro que elas estavam falando, não entendi por que ela falou da mãe, mas continuei atenta à conversa.

- É mesmo. Esse não é um livro para se ler na recepção. As pessoas que chegam podem ver - comentou a Mulher 2

- Ela podia pelo menos colocar uma capa no livro pra esconder, né? - disse a Mulher 3 - as outras duas concordaram.

Chegamos ao térreo e a capa para livros se tornou o assunto. Uma delas comentou que tinha visto uma capa linda em uma loja X e seguiram conversando.

Eu fui embora rindo e me perguntando qual o problema de uma pessoa ser vista lendo esse livro.

Ficou curioso? Você pode ler o primeiro capítulo do livro clicando aqui, mas faça isso escondido, viu?