Consegui entrar no ônibus, já lotado, e me ajeitei próxima à porta do fundo de um jeito que pudesse ler o livro Fúria dos Reis. Logo ele começou a sair.
Três pontos depois entrou pelas portas do fundo uma senhora de cabelos bem branquinhos. Ela devia ter uns 67 anos. O excesso de pessoas em pé deve ter servido de justificativa para que ninguém oferecesse um lugar a ela, já que poderiam fingir que não estavam vendo.
Muitos pontos depois surgiu um lugar e eu avisei a senhora.
- Obrigada - ela respondeu. Mas assim que começou a se mover, outra pessoa sentou no lugar. A senhora me olhou com uma expressão de "fazer o que, né?".
- A senhora devia pedir para alguém dar o lugar. Se você não pedir, as pessoas não saem. A falta de educação domina. - Desabafei.
- Falta classe, né? Mas a gente vê cada barbaridade no transporte que já é normal.- Queixou-se.
- Mas não podemos considerar normal. Se você não pedir, as pessoas não mudam. Às vezes as pessoas tem de passar vergonha para aprender! - ainda estava indignada. A senhora concordou com olhos tristes, de quem já viu muita coisa errada nessa vida.
Logo um banco ficou disponível, mas outra pessoa rapidamente tomou posse dele, deixando a senhorinha no vácuo de novo.
Ela me disse que não tinha problema, porque desceria logo. Mas ela mentiu. Em um ponto, muitas outras pessoas desceram e sobrou bancos vagos no ônibus. Ela se sentou. Eu desci muitos pontos depois e ela ainda continuou no ônibus.
Fico me perguntando se na próxima vez ela forçará a educação de alguém.
- A senhora devia pedir para alguém dar o lugar. Se você não pedir, as pessoas não saem. A falta de educação domina. - Desabafei.
- Falta classe, né? Mas a gente vê cada barbaridade no transporte que já é normal.- Queixou-se.
- Mas não podemos considerar normal. Se você não pedir, as pessoas não mudam. Às vezes as pessoas tem de passar vergonha para aprender! - ainda estava indignada. A senhora concordou com olhos tristes, de quem já viu muita coisa errada nessa vida.
Logo um banco ficou disponível, mas outra pessoa rapidamente tomou posse dele, deixando a senhorinha no vácuo de novo.
Ela me disse que não tinha problema, porque desceria logo. Mas ela mentiu. Em um ponto, muitas outras pessoas desceram e sobrou bancos vagos no ônibus. Ela se sentou. Eu desci muitos pontos depois e ela ainda continuou no ônibus.
Fico me perguntando se na próxima vez ela forçará a educação de alguém.